Trazendo comidinhas

Acho que já falei aqui que boa parte da minha família é envolvida com o ramo alimentício em Teresina, daí eu ser assim… com uns quilinhos a mais do que deveria. Desde sempre, claro! kkkkk Bom, eu sinto MUITA falta da comida brasileira aqui, não é do arroz e feijão não. É do folhado e enrolado quentinho de queijo da confeitaria da mamãe, da coxinha pegando fogo do restaurante da minha tia/prima, do pastelzinho e canudinho (rabo de tatu) do vovô (para sempre será do vovô), dos toddynhos com cuscuz de arroz, deixa pra lá o resto porquê todo mundo já deve tá salivando. hahahaha Pensando em me agradar, a mamãe resolveu trazer algumas coisas pra eu matar a saudade. Eu falei que produto industrializado ela podia trazer à vontade, contanto que despachasse na mala, mas que não era pra trazer nada “caseiro” porque senão ia dar problema pra ela. E como vocês bem sabem, ela não fala inglês. Aí já viu, né? Mas mãe é mãe, né gente? Quer fazer tuuuudo que pode e mais um pouco, então ela resolveu arriscar! Colocou a massa folhada feita na Doce Vício enrolada num papel alumínio, comprou um isopor que coubesse na mala e jogou lá dentro. Não para por aí. Também colocou no isopor enroladinhos de queijo (meus preferidos) e cajuína feita pelo meu tio (mas eles colocaram em garrafas com rótulo). Como se não bastasse, ainda trouxe canudinhos sem recheio, além de castanha e alguns doces típicos de lá. Mamãe sabe que adoro manga, principalmente as lá de casa e do sítio do vovô. Elas são mais gostosas de verdade! Eu avisei que não podia trazer fruta, que a gente assinava um papelzinho dizendo que não estava trazendo, mas de que adiantou? Ela trouxe mesmo assim! Porém… quando ela finalmente pega as malas dela, tem um policial passeando com um cão farejador que de longe sentiu o cheiro dessas mangas (tô dizendo que as de lá são melhores!). Ela disse que o cachorro foi chegando cada vez mais perto da mala até que encostou na “quina” e o policial perguntou:

Tem comida?

Ela disse: Tem!

– É carne?

– Não.

– É manga? (como ele sabia sem nem abrir a mala? Será que já tinham visto no raio x antes da esteira??? Ou esse cachorro só detecta carne e manga? kkkkk)

– É.

– Pois me acompanhe por favor.

P.s.: Não sei como ela entendeu, só sei que se comunicaram. Talvez misturando português, espanhol e um mínimo de inglês. hahahaha

Foram para uma salinha e lá abriram a mala e retiraram todas as mangas, mas não foram grosseiros nem nada de ruim não. Nessa hora ela pediu uma intérprete porquê queria saber o motivo de não poder trazer as mangas. Disseram que pode ter agrotóxicos, inseticidas, sei lá o quê mais. Mamãe ainda tentou argumentar que era lá de casa e não tinha isso, mas não adiantou nada.

E as outras coisas? Vocês devem estar se perguntando. Bom, abriram TUDO dela e ninguém sabe o motivo mas deixaram ela entrar com tudo que tinha  (exceto as mangas). Mamãe disse que quando abriram o pacote de massa folhada disseram: ah, isso aqui é coisa de sobremesa, pode passar. E pronto! Morri de felicidade com tudo que ela trouxe!!! Como sempre, uma delícia!

De volta!

Após 25 dias intensos e muito felizes estamos de volta! Digo estamos porque a mamãe e minha prima também estão chegando em Teresina. Ontem aconteceu mais uma despedida, emocionada mas feliz. Fiquei olhando para elas no aeroporto até onde pude enxergá-las. Na volta pra casa, dirigi no automático, ou seja, não pensei no caminho, apenas fui. Chorei a volta inteira! Pra completar, quando cheguei vi que em cima da minha cama cada uma tinha deixado uma cartinha, li emocionada. E como a mamãe diz, o amor é melhor presente que a gente pode dar, por isso estou muito feliz! Essa temporada de uma parte da família aqui fez com que eu sentisse o amor que nos une. Mais do que os bens materiais que a mamãe já me deu de Natal (essa mamãe noel está bem adiantada haha) o que eu mais gostei foi a presença e a companhia dela por todos esses dias. Ela cuidou de mim como se eu fosse uma criança ainda e me mimou mais que tudo. Cozinhou, fez vários bolos, conseguimos deixar com inveja até quem estava em Teresina e tinha as comidinhas delícias sempre à disposição (né Liana e Vanessa? Exploraram a vovó! kkkkk). Minha prima, como sempre muito organizada, colocava e tirava todos os dias a mesa para o café da manhã. Era tão bom acordar e sentar à mesa posta, comer o cuscuz quentinho que a mamãe tinha preparado, tomando toddynho que ela tinha trazido e conversar com elas… Esses dias passaram tão rápido que nem sei como foram 25 dias! Tem alguma coisa errada com o relógio. hahahaha Hoje sou só saudades, mas vou escrever vários posts no blog contando sobre a vinda da mamãe sozinha (minha prima chegou depois) sem falar nada de inglês e trazendo comida sem ser industrializada. Também mais dicas de Chicago e sobre nossa viagem durante o Thanksgiving para Nova York. Já que não vou estar em Teresina no Natal, já tive o meu por aqui. Obrigada mamãe e Lóra por trazer dias mais felizes para St Louis! Espero ansiosamente por outras visitas, não só delas, mas da família inteira. :)