Curiosidades – universidade nos EUA

A pergunta que mais me fazem é: tu consegue entender tudo que o professor fala? Não. não entendo 100% do que eles falam, mas diria que comecei o semestre entendendo 75% e agora já entendo 90% do que é dito em sala de aula. Por causa desse não entendimento, perdi 3 tarefas importantes e tive que me virar pra conseguir pontos extras.

Outra curiosidade é sobre os alunos/colegas de classe. Como aqui a gente não cursa bloco fechado, pago matéria com várias pessoas diferentes. Algumas, só tenho uma aula em comum, então fica difícil estabelecer um relação de amizade com uma pessoa que você vê uma vez na semana. Além disso, as turmas tem uns 50 alunos, o que dificulta o entrosamento. Na minha aula de inglês, com uma turma bem menor, a gente consegue se relacionar melhor. Me perguntam também sobre amigos americanos, se eu falo muito com eles, se são diferentes dos internacionais. A verdade é que acho que não tem muita diferença, mas não sei por qual motivo não me aproximei muito deles ainda. Coincidentemente, sentei perto de uma menina do Vietnam e viramos amigas. Numa aula não falo com ninguém e percebo que muitas pessoas dessa minha aula não se relacionam também.

Aluno é aluno em qualquer lugar, então sempre vai ter aquele que pesca, aquele que dorme, um outro que conversa demais… é a mesma coisa aqui. Eu acho que aqui a relação aluno-professor tem uma distância maior, apesar de achá-los bem mais prestativos do que os que tive na faculdade no Brasil. Eles têm horários designados apenas para ajudar alunos e isso é muito bom. Mesmo assim, acho que os alunos aqui não se importam muito com o professor. Tenho uma aula às 8h da manhã que muuuuita gente dorme, outras ficam com fone de ouvido ouvindo música (mesmo o professor explicando no plano de curso que é proibido o uso do celular), outras assistem vídeo na maior cara de pau e não colocam fone e uma mínima parcela presta atenção de verdade. Eu sento bem na frente e ficava me perguntando porquê o professor dava aula olhando só pra mim e pra umas duas ou três pessoas do lado, aí um dia desses eu olhei pra trás e vi o que acabei de descrever.

Uma diferença aqui são as tarefas de casa. Sim, temos muita! E não é coisa de ensino médio ou infantil. Independente do seu ano na faculdade você vai ter sempre tarefa. Umas matérias têm mais que as outras, mas todas tem. E tudo vale ponto pra sua nota final. Aqui você não faz só 4 provas, faz a média e pronto, tem sua nota. A gente faz tarefa de casa, quiz (mini provas) e provas. Apesar de não estar acostumada com isso eu acho que é muito bom, assim a gente não vicia em estudar só em época de provas. Além disso, tem matérias que só tem duas provas, outras que tem quatro + final, outras que tem quatro mas não exigem final, então tá sempre tendo prova de alguma matéria.

Minha universidade promove vários eventos e workshops pra ajudar tanto a fazer amizades quanto entrar no espírito acadêmico. Acho legal, mas não gosto de forçar amizade. hahaha

Como ingressar na universidade nos EUA.

Há tempos queria fazer esse post, mas fiquei enrolando. Muita gente tá me perguntando sobre universidade então decidi colocá-lo no ar. Vou dar uma ideia geral de como fazer pra ingressar na universidade aqui, mas algumas delas tem pré requisitos que outras não tem então é sempre bom checar o site da universidade que você queira. O bom daqui é que eles disponibilizam todas as informações nos seus sites e ajuda muito! Praticamente todas as universidades aqui requerem uma prova chamada SAT. Bom, o SAT é o exame que as universidades americanas usam para avaliar o desempenho de cada estudante para aceitá-lo ou não como universitário. É parecido com o ENEM aí do Brasil. Primeiro nos increvemos para a prova e podemos escolher até 4 faculdades para eles enviarem os seus resultados (scores), depois fazemos a inscrição na universidade que queremos (site da universidade) e eles analisam os scores do SAT, do TOEFL (prova apenas de inglês para estrangeiros que não têm inglês como língua primária),o desempenho escolar, carta de recomendação, essas coisas. Têm dois tipos de SAT: o geral e o subject. O geral contém uma redação e 6 sessões para serem resolvidas em 25 minutos cada, 2 sessões de 20 minutos cada e uma sessão de apenas 10 minutos. Ou seja, assim como o TOEFL, o maior desafio do SAT é o tempo. As questões não são muito difícieis, mas lembre-se que  na maioria das vezes você vai ter menos de 2 minutos pra cada. Então minha dica é: quando for estudar para o TOEFL e para o SAT é muito importante que você faça isso de acordo com o tempo que você vai ter no dia da prova, ou seja, cronometre o tempo. O SAT subject testa o conhecimento específico de alguma matéria, a minha universidade não pedia, então não fiz e não sei muito a respeito. Me preparei para a prova do SAT com um livro chamado The official SAT study guide, se não me engano é o que eles recomendam no site. Não foi caro, foi uns $30 na época (quase dois anos atrás). No site eles também disponibilizam algumas questões, mas não são muitas, então é melhor comprar o material mesmo. Pro TOEFL só treinei com material grátis do próprio site, não me preparei muito pra falar a verdade, então meu score não foi lá essas coisas, mas deu pra ser aceita. hahaha Tanto o TOEFL quanto o SAT podem ser feitos no Brasil, parece óbvio mas muita gente não sabe. Entrei em contato com o meu colégio pedindo pra traduzirem o meu histórico e eles se encarregaram disso, não fui eu que fiz nada, mas se não me engano a secretaria de educação da minha cidade que ficou responsável por fazer isso. Quando os documentos ficaram prontos, pedi pra colocarem no envelope da escola, selado e tudo, mas quem enviou pra universidade foi minha mãe e não o colégio. Nunca vi esses documentos, foram direto pra universidade. Lá, alunos internacionais são muito bem recebidos e eles estimulam esse mix de estrangeiros com nativos. Não precisei de carta de recomendação. Precisei do extrato bancário de quem ia pagar minha faculdade (no caso a mamãe) tanto pra ser aceita quanto pra eles emitirem o I20 (tive que enviar duas vezes). Infelizmente, o valor da tuition para estudantes internacionais é bem mais cara do que para americanos. Algumas universidades não aceitam que o pagamento seja dividido, ou seja, tem que pagar o ano todo de uma vez. Outras, como a minha, deixam você mais a vontade pra pagar. O pagamento pode ser feito também por semestre ou em 3 prestações em cada semestre. Como falei antes, isso depende. Alunos internacionais geralmente não conseguem bolsas e devem provar que tem dinheiro pra pagar pelo menos o primeiro ano de faculdade. Com o nosso visto, podemos trabalhar até 20h na universidade (além de estudar, claro) no primeiro ano e a partir do segundo ano podemos pedir uma permissão pra fazer estágio fora do campus. No meu primeiro ano optei por só estudar, me acostumar com a rotina de estudos e aprimorar bem o inglês. Porém, penso sim em fazer estágio a partir do próximo ano. Espero ter respondido algumas dúvidas, qualquer coisa é só perguntar que tô sempre aqui. :)

Lavanderia americana

No meu antigo prédio tinha 3 máquinas de lavar roupa e 3 de secar. Já nesse só tem uma de cada, ou seja, é muito ruim quando tem muita coisa pra lavar. Depois que minhas visitas foram embora e eu recebi a notícia que iria pro Brasil percebi que passaria o dia inteiro indo e voltando no porão pra lavar tudo que tinha. Além disso, quando comecei a lavar veio outra pessoa e deixou as coisas dela lá em cima da máquina, como quem diz: sou a próxima. Por isso, decidi ir à lavanderia que fica bem pertinho de casa. Eu queria conhecer, mas não tinha oportunidade. Coloquei todas as roupas de cama, toalhas, roupas acumuladas e fui! Chegando lá tem que comprar o cartãozinho da lavanderia e carregar. Só custa 45 centavos e você vai adicionando crédito. O preço da lavagem varia de acordo com o tamanho da máquina que você usa e, no caso dessa lavanderia, as roupas que eram lavadas lá podiam ser secadas de graça. É só inserir o cartão em cada máquina que ela já desconta o valor da lavagem e mostra o saldo.  Você pode levar seu sabão ou comprar lá (que na minha opinião não vale a pena). Cheguei de tardezinha e não tinha quase ninguém, mas depois foi chegando mais gente e tarde da noite fica lotado!! Pra passar o tempo enquanto sua roupa lava e seca eles disponibilizam wi fi grátis, televisões, pin ball e video game. Parecia o “play” do shopping. hahahaha Posso não ter dado sorte mas as roupas não ficaram bem secas. As máquinas de secar dos dois prédios que usei demoravam 45min cada “rodada” mas lá só eram 10min. Eu achei que por serem maiores talvez fossem mais potentes, mas precisei programar a máquina várias vezes e mesmo assim ainda cheguei com coisa molhada fria em casa. Valeu a experiência, mas só volto em casos extremos. Enquanto for pouca coisa dá pra eu me virar com a máquina do prédio.

Turismo em St Louis

Resolvi fazer um post sobre isso logo porque tive dificuldades em encontrar relatos de turismo aqui em St Louis na internet. Só achei de site de viagens, wikipedia, essas coisas impessoais.

Bom, o Gateway Arch é o monumento mais famoso daqui. Fica no centro da cidade e dá para subir até o topo. Entramos num elevador meio cápsula (claustrofóbico não pode ir, porque é muuuuito apertadinho). Sem falar que por causa da forma da construção ele vai balançando no percurso. Lá em cima tem umas janelinhas e você fica admirando a vista. É legal, mas é rápido, não tem muito o que fazer sabe? Mas lá embaixo na entrada tem um museu e um cineminha e você pode assistir documentários relacionados ao arco. É claro que tem a lojinha de souvenir também. O parque onde o arco fica é bem legal e se não tiver tão frio dá pra fazer uma caminhada que é bem relaxante. Dentro do mesmo parque também fica a Catedral antiga, vale dar uma entradinha.

Aproveitando que já tá no Centro da cidade e é praticamente em frente ao monumento mais famoso de St Louis vá conhecer a Old Courthouse. É um prédio histórico bem bonito. Amo a cúpula de lá!

Se você é daqueles que gosta de conhecer os restaurantes típicos e provar as comidas locais uma boa pedida é ir comer a costelinha de porco do Pappy’s Smokehouse. Chegamos lá 13h e tivemos que enfrentar uma fila imensa!! Já saiu até no programa Man vs food.

Se você vem com criança ou é uma criança por dentro ainda no centro da cidade tem o City Museum. É um museu diferente, super interativo. É uma mistura de playground com museu, dá pra escalar algumas “obras”, escorregar, pintar e jogar em várias exibições. O bom é que fica aberto até a meia-noite e se você for de noite ainda paga mais barato!! Bem pertinho fica o City Garden, várias praças com várias esculturas e fontes e que os americanos adoram (eu não vejo muita graça).

A Cathedral Basilica é outro ponto que vale a pena ser visitado! Remete às igrejas antigas da Europa e tem várias pinturas e mosaicos de deixar qualquer um boquiaberto. O bom é que pode tirar fotos! Se naão for na hora da missa, claro. A mamãe adorou o lugar! Todos os domingos íamos à missa lá.  Fica num bairro bem gostoso, chamado Central West End e tem vários lugares bons pra comer por perto.

Meu lugar favorito em St Louis chama-se Forest Park. É de uma imensidão que é impossível conhecer tudo de uma única vez. Dentro dele tem campo de futebol americano, quadra de tênis, dois museus, restaurantes, pedalinho e um lago. É o lugar que mais gosto de ir, onde tiro as fotos mais bonitas (e onde já peguei uma multa também) e é bem relaxante. Se não tiver muito frio é muito bom dar uma caminhadinha, passar por entre as árvores e lugares em que a água do lago atravessa nosso caminho. É um contato muito bom com a natureza. Lá já visitei o Museu de Arte (que é grátis) e falta o Museu de História.

O Jardim Botânico também vale muuuuito a pena ser visitado (sábado até meio dia é grátis para quem mora aqui), principalmente na primavera. Levei a mamãe e minha prima no final do outono e mesmo assim gostaram (menos do frio, claro). O jardim japonês e o árabe são meus preferidos. Lá dentro tem também a casa de Tower Grove, que foi quem criou o jardim e posteriormente deu nome ao bairro. Também é tão grande que nem sei quem consegue caminhar tudo aquilo em uma só vez. E pertinho de lá tem uma patisseria bem charmosa chamada La Chouquette com lanchinhos interessantes.

Eu sempre levo quem vem me visitar pra conhecer a Washington University in St Louis, porque é onde o Jr estuda e é bem diferente das universidades do Brasil. Prefiro ir num horário que não tem muito aluno e vários prédios ficam fechados, mas se for em dia normal dá pra conhecer tudo e morrer de vontade de estudar lá. A entrada parece de um castelo e tem vários salões dignos de rei mesmo.

Tem também a cervejaria Budweiser que nunca fiz porque não bebo e aí fico com vergonha de ir e não provar o que eles oferecem. hahahaha Mas quem faz o passeio pago diz que é muito bom, porém o grátis é sem graça. Quem for, me conta.

Outros dois restaurantes famosos e a cara de St Louis são Blueberry Hill e Pastaria. O primeiro fica pertinho da universidade, tem vários espaços e vive lotado! É comida americana e eles servem o menu de café da manhã o dia inteiro. Já o segundo é de comida italiana, fica no “bairro” nobre da cidade e é ótimo pra ir comer uma pizza assada em forno a lenha (coisa difícil por aqui) e pedir o crispy risotto balls de entrada.

O post ficou meio longo mas espero que ajude quem tem planos de vir pra cá. Essas são minhas dicas dos lugares mais legais e acho que não esqueci de nenhum lugar que vale a pena conhecer por aqui.

Americanos e sua sinceridade

Eu acho que nós brasileiros muita vezes não gostamos de algo, mas só pra agradar quem fez a comida, por exemplo, acaba dizendo que gostou. No começo achei a sinceridade americana demais, na verdade ainda acho. Acho que eles não tem aquela dúvida: será que ela falou só pra agradar? Porquê todo mundo é SUPER sincero, às vezes pra coisa boa e às vezes não. Vamos aos exemplos, haha.

– Comprei uma calça listrada e toda vez que uso alguém me elogia, já foi na aula, no supermercado, no shopping, mas sempre tem alguém que nem me conhece pra dizer que gostou.

– Jr tem um colega americano gay que vive com um cara mais velho, aí outro colega americano vira pra ele e pergunta: mas porquê você escolheu um velho???? Claro que nessa hora o Jr fica com o sentimento de vergonha alheia, pois ele tem vergonha até na hora que não é pra ter. O amigo gay nem se importou… americano também, né?! Então…

– Vou lá no Mc Donald’s e o caixa (que está do outro lado do “balcão”) diz que gostou do meu perfume, e eu: hein?? Ele repetiu e disse o cheiro realmente era bom. Ok, obrigada (fiquei tímida :p).

– Esses dias o orientador do Jr trouxe uma professora convidada pra palestrar na universidade e depois foram jantar. Como só o Jr e o outro aluno tinham confirmado presença no jantar o professor falou com a universidade para liberar o dinheiro para apenas cinco pessoas, mas aí a mulher dele  foi com as crianças, além da a esposa do outro professor e o parceiro do amigo do Jr também, ou seja, mais de cinco pessoas. Na hora da conta o orientador tava falando pra mulher dele pagar a parte dela, que ele só tinha dinheiro pra cinco pessoas e que ela, as crianças e o parceiro do aluno dele não estavam programados. Jr disse que ficou constrangido, falando de dinheiro e discutindo a conta de uma maneira não muito agradável na frente da convidada. Ainda bem que não fui, senão ia ficar com vergonha também. :D

– Outro dia um menino negro que estuda comigo pintou apenas uma parte da frente do cabelo de loiro. Na hora que ele entrou o professor parou a aula, disse que tava feio e pra ele ajeitar. hahaha Na hora do intervalo ainda perguntou o motivo dele ter pintado e disse pra ele ter cuidado pra não deixar transparecer que ele era uma coisa sem ser (no caso, gay).

Só eu achei essas coisas um pouco sinceras demais? Sou “fina” como dizem no Piauí? kkkkk Falei com o americano amigo nosso e ele disse que americano não fica com vergonha a não ser que seja uma cosa beeeeeeeeeeeeeeeeeeeem cabeluda.

 

P.s.: Às vezes deixo de postar porquê só escrevo post grande (um assunto pode não render tanto ou apenas a minha preguiça não deixa kkkk), vocês acham melhor fazer post pequeno sempre ou deixar pra fazer só um grande mesmo?

Nova cultura, novos hábitos

Inspirada nesse post aqui resolvi escrever o meu de hoje. E aí que com o passar do tempo você vai incorporando algumas coisas que são comuns pra quem vive aqui mas que você não era acostumado ou não fazia no Brasil.

Aqui todo carro tem aquele lugar pra colocar copos e eles vivem ocupados! Sim, americano anda pra cima e pra baixo com um copão de líquido. Já vi água, refrigerante, café, energético, enfim… cada um com sua preferência. Aí que euzinha aqui quando vou ao supermercado gosto logo de garantir meu refrigerante free refill e ficar andando com ele por aí, inclusive dentro do carro. :p Além disso, no Brasil, apesar de viver em uma cidade quente, eu não bebia muita água mas aqui tenho a impressão que ela é mais gostosa (a gente compra garrafinhas, mas não tem gosto de plástico/cloro com no Brasil) e por isso acabo bebendo mais do que eu bebia antes de morar aqui. É claro que também ando com uma garrafinha dentro do carro. ;) AInda falando em água eu só gostava de água praticamente congelada (meu pai é assim) mas aqui não é tão quente então eu prefiro temperatura ambiente (quem diria?!). Americano não coloca água na geladeira, toma natural mesmo. :)

Outra coisa é que americanos, homens e mulheres, adoram tênis e roupas de academia. Mulheres de salto vejo raramente. Eu não gosto de tênis, mas minhas sandálias de salto estavam todas empoeiradas até o dia que o marido disse que eu devia ser mais vaidosa. Ok, levei um susto, passei dois dias em cima do salto e não aguentei mais. kkkkkk  No Brasil eu quase não usava sandália alta, aqui então… Minha sapatilha que o diga!

Eu praticamente não tenho maquiagem e aqui a maioria das mulheres anda de cara limpa e cabelo bagunçadinho, então já cheguei incorporada à cultura americana pois nunca aprendi a me maquiar. :D

Americano é impressionado com o tempo. Sério! Eles sabem a temperatura e o que vai acontecer durante a semana inteira. Uma prova do que estou falando é que ontem estava fazendo um dia lindo e meu professor comentou, aí falamos algo que comemorasse a chegada (finalmente) da primavera, mas ele “cortou” nossa felicidade falando que no final da semana as temperaturas vão ser de inverno. =/ Bom, eu ainda não tô no nível deles que sabem a semana inteira, mas pelo menos para os próximos três dias eu já tô sabendo. Será que em Teresina eu não me importava com isso porquê era todo dia a mesma coisa? hahaha

Vocês ouviram falar dos irmãos Tsarnaev, suspeitos pelos ataques em Boston né? Então, aqui em casa a televisão (no caso o notebook/tablet) estava ligada durante praticamente toda a caça pelo irmão mais novo, a tv estava mostrando ao vivo.

Além de tudo isso, é claro que thank you, sorry, please e excuse me são as palavras mais usadas por mim aqui.

Essas são apenas algumas percepções do que vem mudando em mim ao longo desses meses por essas bandas.

Comprando carro nos EUA!

Desde que cheguei da viagem ao Brasil que comecei a pesquisar por carros. Nossas condições eram bem limitadas, mas precisávamos de um. Aqui eles colocam o inventário todo nos seus sites, o que facilita muito a busca, olhei várias opções na internet e quando fui fazer a ‘pesquisa in loco’ já sabia mais ou menos o que ia encontrar. Como não conhecemos ninguém temos que alugar o carro e ir em busca, por isso nosso tempo é bem limitado e não pudemos (na primeira visita) fazer um test drive. Gostamos de um carro e ficamos acompanhando pelo site se ele ainda estava na loja até o dia que ficamos pronto$ pra ir lá. Sexta foi o dia. Alugamos o carro e fomos. Chegando lá o vendedor estava atendendo outra pessoa e, como tínhamos falado com ele da primeira vez, preferimos esperá-lo. Já estava demorando muito então ele veio falar conosco e deu a chave do carro que tínhamos gostado pra fazermos o test drive. Eu fiquei pasma quando soube que ele não ia com a gente, jurava que todo teste tinha que ser acompanhado por alguém da loja. Mas não, ele só colocou uma placa no carro e pronto. Pra quem não sabe, as placas não são dos carros e sim dos donos, então, mesmo o carro sendo usado ele não tem placa, aí quando a pessoa troca de carro ela coloca no carro novo e o velho fica sem. Bom, o Jr não gostou desse primeiro que dirigimos, disse que tava mole a direção e não sei mais o quê. Além disso tinha uma seta queimada e ninguém quer comprar carro com defeito né?! Eu tinha visto no site da mesma loja um carro do mesmo ano, modelo e preço, então fomos testar o outro. Na hora do teste lembramos que era hora de devolver o carro alugado e eu ou Jr teria que ir. Mas como assim nosso tempo de aluguel acabou antes mesmo de termos terminado? Colocamos um tempo ótimo, entretanto quando estava indo pra loja percebi que o carro estava sem gasolina (quem paga a gasolina é a empresa e mesmo assim a pessoa que alugou por último deixa sem combustível, aff), fomos atrás de um posto, mas o GPS não ajudava, só levava pra lugar errado! Isso aí demorou bastante o e atrapalhou muito. Também não contávamos que o vendedor demoraria TANTO pra resolver o caso do cliente que ele estava atendendo. Enfim, eu tive que ir deixar o carro, saí apressada e quando cheguei no estacionamento dos carros alugados percebo que o cartão que tranca as portas tinha ficado no bolso do Jr. Sorte que ele tinha esquecido o celular no carro e eu liguei pra empresa e eles trancaram de lá (eu perdi meu chip na viagem pra Teresina e pedi outro pela internet). Ah, as ‘trapalhadas’ ainda não terminaram. Como se não bastasse ter ficado com o cartão que tranca as portas, o Jr também ficou com o da gasolina no bolso!!! Será que meu marido é atrapalhado/esquecido? kkkkkk Voltando ao assunto principal do post, aqui no Missouri o carro não sai da loja sem seguro e já passava das 18h. Jr tentou fazer seguro mas não tava dando certo e só começaria a valer no dia seguinte. Nosso visto é de estudante, vivemos de bolsas estudantis e eles não contam isso como salário, ou seja, a gente não tem crédito (que funciona como comprovante de pagamentos em dia e você acumula pontos a medida que quita seus débitos em dia), por isso não podemos comprar o carro parcelado. Pagando na hora consegue um desconto bom, mas em compensação, por causa dessa falta de crédito, (e de outros fatores também) o preço do seguro vai para as alturas! Pra efetivar a compra não precisou de nenhum documento além do cartão do seguro e do $$$ (conhecido também como Obamas, faz-me rir, verdinhas, etc). Eu tinha levado até um comprovante de endereço, porque pra fazer qualquer coisa no Brasil precisa né?! hahaha Como Jr tinha ficado na loja e não deu pra sair de carro novo, teríamos que alugar de novo outro carro pra eu ir buscá-l0 (era muito longe e táxi sairia o dobro do preço). Eis que ele me manda uma mensagem dizendo que não precisava, o vendedor disse que dava uma carona pra ele. Gente, NUNCA imaginei que o vendedor dos EUA fosse levar o cliente em casa. Tá certo que ele disse que mora aqui perto, mas mesmo assim achei muita vantagem. Como se isso não bastasse ele disse que viria nos buscar para recebermos o carro ontem de manhã. Achei o máximo! Chegando para receber, esperamos só eles irem completar o tanque (simmm, veio com tanque cheio sem nem a gente pedir! :D :D) e o Jr assinou um papel referindo-se à placa provisória. Ninguém pode andar sem placa, então eles dão uma de papel e você tem um mês pra “registrar” o carro e comprar as placas definitivas. O seguro também deu 30 dias para tirarmos a carteira daqui, então torçam pela genteee! :)) Ah, quanto ao preço nem preciso dizer que saiu menos da metade do que sairia no Brasil né?! Tão curiosos pra saber qual o carro? kkkkk

Corolla2011

 

Americanos e o famoso fast food.

Não é  novidade pra ninguém que americano ama fast food, mas só hoje percebi de verdade isso. Sempre faço supermercado aos finais de semana e às vezes vou ao Mc Donald’s quando saio de lá. Essa semana foi diferente, porquê fui às compras hoje (terça-feira). Saí de casa sem comer nada e lógico que fui almoçar no Mc Donald’s depois. Eu sei que isso não é exemplo pra ninguém, mas nunca me importei de trocar uma refeição por um lanche (nem no Brasil), contanto que não seja todo dia. Chegando ao restaurante vi uma fila enooorme no drive thru e um amontoado de gente lá dentro. Fiquei pasma! Em Teresina os horários mais disputados na rede de fast food são entre 18h e 21h nos dias de semana e domingo e durante a madrugada do final de semana. Ou seja, os horários que eu ‘frequento’ o daqui, mas nunca teve fila, nunca esperei e sempre teve mesa disponível. Hoje, durante o horário do almoço era tanta gente que eu nem conseguia pensar no meu pedido. Tinha desde pintor (ou era pedreiro? Ele tava com um macacão todo sujo) contando as moedinhas até pessoas bem vestidas e em carros caros na fila do drive, todos com o mesmo objetivo: almoçar um(a) fast food. Aí estão inclusos também mães com suas crianças, o que eu não acho lá muito certo né?! Porque se fosse no final de semana tudo bem, mas quem sou eu pra dizer o que é certo e errado. Quando vi tanta gente só lembrei do que escutava no Brasil, sobre o paladar americano e que eles trocam MESMO o almoço por um sanduíche. Por causa desse gosto aqui tem trilhões muitas redes do tipo Mc Donald’s, todas bem frequentadas. Estou longe de conhecer todas, já fui em algumas mas o restaurante do Ronald é meu preferido mesmo. Tem quem ame Burger King, só não sou eu. hahaha Hoje foi um dos dias que acreditei que o que estou vivendo é verdade, que estou nos EUA mesmo e não é nem um sonho (não aquele enquanto durmimos). Mudando de assunto, outra coisa que percebi é que as rádios daqui tocam músicas antigas durante a sua programação normal, eu digo, sem ser durante a madrugada ou em programas próprios para músicas que não são lançamentos. Hoje tocou Avril Lavigne (alguém ainda lembra quem é? hahaha) e Elton John por exemplo, além de músicas de cantores que continuam na mídia mas já estão trabalhando outras faixas. Adoro esse mix! São essas pequenas coisas e observações que me fazem perceber que é tudo verdade e que amo morar aqui. :)

Valentine’s Day.

Oie! Resolvi voltar depois de alguns dias desaparecida. hahaha Eu poderia dizer que me ausentei porquê estou pesquisando umas coisas, ou porquê me viciei em Grey’s Anatomy de novo ou por qualquer outro motivo, mas esses dias só não estava afim de escrever. Hoje deu vontade.

Aqui nos EUA o dia dos namorados é comemorado hoje, dia 14 de fevereiro e é chamado de Valentine’s Day. Vi uma chuuuuva de fotos e declarações nas redes sociais, mas eu não me senti à vontade pra isso. Não consegui entender o motivo, já que no final de semana eu cogitei alguma surpresa pra hoje e até perguntei pro Jr o que íriamos fazer. Obtive como resposta: somos brasileiros, nosso dia de comemorar não é esse (de um jeito não rude, claro), até contestei mas deixei pra lá porquê enquanto conversávamos e andávamos, vimos um restaurante italiano e não resistimos ao cheiro, entramos! Dei-me por satisfeita, aquele jantar ficou na minha cabeça como comemoração do dia de hoje. Comprei apenas um cartãozinho (que achei nossa cara) e dei pro meu valentine e, claro, postei também no meu instagram. O que ficou na minha cabeça é que é apenas um dia normal, que eu e Jr ainda não estamos totalmente inseridos na cultura americana e que talvez, se eu estivesse no Brasil, até ficaria mais à vontade de postar uma foto nossa com uma declaração bem linda.

Mudando de assunto, vou contar uma historinha. Aqui em St Louis temos um sistema bem mais ou menos de transporte público. Compramos o ticket, validamos e pronto, entramos no vagão. O problema é que você só valida “se quiser” e não tem um controle mais rígido de segurança. Por isso, de vez em quando passam uns guardas dentro do metrô conferindo se temos (e se validamos) ticket. Alunos da universidade têm direito a um passe para andar em transporte público de graça, Jr tem um desse. Quando pedem pra ele mostrar o ticket ele tem que mostrar esse passe e o cartão que confirma que ele é aluno da WUSTL. Domingo entrou o guarda para conferir e eu fico nervosa mesmo sabendo que estou com tudo certinho. hahaha Nesse dia, quando chegou a vez do Jr, cadê o passe dele? O guarda mandou a gente descer (sorte que já era nossa parada) e foi verificar se o que o Jr estava falando era verdade, que era aluno, tinha o passe e apenas tinha esquecido. Enquanto ele fazia isso, fiquei muito preocupada, com medo de acontecer alguma coisa séria, sei lá… Mas ainda bem que fomos liberados e recebemos apenas uma “advertência” por escrito. Se ele estivesse mentindo teria que pagar multa e ir se explicar em outro lugar.

Sejam bem vindos à vida real pós-carnaval. :)

Praticando que se aprende.

E aí que a verdade é: você só aprende na prática!

Quando vim pra cá, jurava que pão era bread. A gente chama pão massa fina, pão francês, pão bola, pão de forma, mas tudo é pão certo? Só que aqui não é assim. Até eu descobrir que aquele pão de hamburger era bun paguei alguns micozinhos em restaurante. Frequentamos o mesmo restaurante, então sempre perguntavam pra gente em qual bread a gente preferia. Pior que a quando perguntávamos quais o tipos que tinha entendíamos menos ainda, aí respondíamos que qualquer um. hahahaha Nessa de ‘qualquer um tá bom’ um garçom falou que ia colocar num whole wheat bun, e como o ambiente é meio escuro só víamos mesmo que era aquele pão bola. Alguns dias depois fui ao supermercado procurar pelo tal pão de hamburger e descobri que o whole wheat é trigo integral. Não teria nenhum problema se eu e o Jr não tivéssemos preconceito (antes de provar) com pães integrais né?!

Outra coisa que estamos acostumados no Brasil é falar: eu quero um sanduíche de tal modo. Aqui nunca vi ninguém falando assim. Na universidade o Jr aprendeu que as pessoas pedem suas comidas perguntando “Can I have a/an…” e agora só falamos assim. Se tá certo eu não sei, mas acho que é o jeito coloquial de dizer e que todo mundo entende.

Nos drive-thrus da vida eu sempre falo o nome do sanduíche, mas de acordo com o Jr os americanos pedem pelo número. Também não sei qual o ‘certo’, mas sei que fui entendida todas as vezes. :)

Pronúncia é que aprendemos mesmo só com a prática. Por aqui, egg não é ‘egui’, eles pronunciam “êgh”. Uma vez o Jr foi pedir o ‘whole wheat bun‘ e pronunciou ‘uét’, aí na mesma hora a garçonete corrigiu: ‘uit’. Se ninguém corrigir não vamos aprender, mas que seja com educação né?! Porque a mulher olhou com uma cara pra gente! Todo brasileiro pronuncia o nome da nossa cidade “Seinti Louis”, mas o certo mesmo é “Seint Luasz”, mas se em Teresina eu chegar falando assim vão dizer que é pra aparecer né?! kkkkk

P.S.: Estou falando do que aprendi em St. Louis, mas pode ser só sotaque essa questão da pronúncia de algumas palavras.