Nova cultura, novos hábitos

Inspirada nesse post aqui resolvi escrever o meu de hoje. E aí que com o passar do tempo você vai incorporando algumas coisas que são comuns pra quem vive aqui mas que você não era acostumado ou não fazia no Brasil.

Aqui todo carro tem aquele lugar pra colocar copos e eles vivem ocupados! Sim, americano anda pra cima e pra baixo com um copão de líquido. Já vi água, refrigerante, café, energético, enfim… cada um com sua preferência. Aí que euzinha aqui quando vou ao supermercado gosto logo de garantir meu refrigerante free refill e ficar andando com ele por aí, inclusive dentro do carro. :p Além disso, no Brasil, apesar de viver em uma cidade quente, eu não bebia muita água mas aqui tenho a impressão que ela é mais gostosa (a gente compra garrafinhas, mas não tem gosto de plástico/cloro com no Brasil) e por isso acabo bebendo mais do que eu bebia antes de morar aqui. É claro que também ando com uma garrafinha dentro do carro. ;) AInda falando em água eu só gostava de água praticamente congelada (meu pai é assim) mas aqui não é tão quente então eu prefiro temperatura ambiente (quem diria?!). Americano não coloca água na geladeira, toma natural mesmo. :)

Outra coisa é que americanos, homens e mulheres, adoram tênis e roupas de academia. Mulheres de salto vejo raramente. Eu não gosto de tênis, mas minhas sandálias de salto estavam todas empoeiradas até o dia que o marido disse que eu devia ser mais vaidosa. Ok, levei um susto, passei dois dias em cima do salto e não aguentei mais. kkkkkk  No Brasil eu quase não usava sandália alta, aqui então… Minha sapatilha que o diga!

Eu praticamente não tenho maquiagem e aqui a maioria das mulheres anda de cara limpa e cabelo bagunçadinho, então já cheguei incorporada à cultura americana pois nunca aprendi a me maquiar. :D

Americano é impressionado com o tempo. Sério! Eles sabem a temperatura e o que vai acontecer durante a semana inteira. Uma prova do que estou falando é que ontem estava fazendo um dia lindo e meu professor comentou, aí falamos algo que comemorasse a chegada (finalmente) da primavera, mas ele “cortou” nossa felicidade falando que no final da semana as temperaturas vão ser de inverno. =/ Bom, eu ainda não tô no nível deles que sabem a semana inteira, mas pelo menos para os próximos três dias eu já tô sabendo. Será que em Teresina eu não me importava com isso porquê era todo dia a mesma coisa? hahaha

Vocês ouviram falar dos irmãos Tsarnaev, suspeitos pelos ataques em Boston né? Então, aqui em casa a televisão (no caso o notebook/tablet) estava ligada durante praticamente toda a caça pelo irmão mais novo, a tv estava mostrando ao vivo.

Além de tudo isso, é claro que thank you, sorry, please e excuse me são as palavras mais usadas por mim aqui.

Essas são apenas algumas percepções do que vem mudando em mim ao longo desses meses por essas bandas.

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Neve.

A essa altura do campeonato todo mundo já sabe que vim de uma cidade terrivelmente quente, então a probabilidade da gente ver neve por lá é nula. Aliás, é negativa! Já tinha viajado uma vez pra um lugar frio no inverno mas não tive a sorte de ver a neve. No dia que viajei pro Brasil, aqui em STL nevou!! No dia anterior vi na previsão do tempo que as chancesde nevar eram grandes, mas de outras vezes também eram e nem por isso aconteceu. Mesmo assim abri todas as persianas de casa pra não correr o risco de perder o momento tão esperado! Eu estava terminando de arrumar as malas e começou… Saí pra senti-la, tentava tirar foto mas não aparecia aquele monte de floquinhos!! Tentei, tentei, tentei, coloquei um efeito e aí que ficou mais ou menos, mas deu pra entender que tava nevando. Como a gente já estava praticamente de saída eu nem pude dar muita bola pra ela, apesar de não esconder a minha felicidade. Eis que ontem, sem nem esperar, sem aparecer na previsão eu de repente olho pra janela e vejo. Gente, que coisa lindaaa!! Sim, é lindo mesmoooo. Saí pra sentir de novo aquele friozinho, a sensação de mini pedacinhos de gelo é indescritível!! Achei que ela não ia demorar, afinal nem na previsão estava… Depois de alguns minutos tudo estava branco!! Eu voltei pro Natal de novo. Neve me lembra Natal, que me lembra Brasil, que me lembra felicidade. E sem razão aparente eu estava ainda mais feliz. Estava feito besta, pisando na parte que já estava coberta de neve só pra ficar a marca do sapato e tirando foto de todos os ângulos! Ontem sim pude dar a atenção merecida! Depois que brinquei voltei pra dentro de casa, coloquei a cadeira de frente pra janela e fiquei só ali olhando ela cair. Linda, branquinha, sem fazer barulho, às vezes mais forte às vezes sóó um pouquinho. De repente vinha vento e espalhava tudo, mas estava tudo lindo. E assim, durou mais de duas horas. A natureza é mesmo um espetáculo perfeito.

Agora, algumas fotos, porquê elas falam mais que palavras. :)

P.S.: Desculpem o post ‘abestado’, de idolatria a neve, mas uma piauiense não poderia conter a alegria em vê-la certo?!

Ficou tudo assim, branquinho, lindo...

Ficou tudo assim, branquinho, lindo…

Jr saindo pra monitoria

Jr saindo pra monitoria

"Quintal"

“Quintal”

Vista do porão.

Vista do porão.

:D

:D

Tempo, tempo, tempo…

Como já falei antes, estava no Brasil. Mais precisamente na minha cidade natal que é Teresina. Quem é brasileiro sabe que é uma das cidades mais quentes do Brasil. No dia que viajei St. Louis me deu de presente uma neve linda. Eu nunca tinha visto (porquê morando em Teresina, né amiga… hahaha) e fiquei feito boba no meio da rua, me molhando toda e querendo fazer vídeos e fotos pra mostrar para os meus amigos. A primeira preocupação foi: como me vestir pra neve aqui e pro calor em Teresina?! Espaço na mala e bagagem de mão eu praticamente não tinha, mas a minha amiga Carol tinha encomendado um casacão super pesado e eu resolvi ir vestida nele pra poupar espaço na mala. Claro que depois que cheguei ao aeroporto tive que dar um jeito de colocá-lo na bagagem de mão. Saí daqui usando uma blusa de manga comprida (que tinha acabado de ganhar de Natal do maridinho) e assim que desembarquei no RJ já senti MUITO a diferença. Fiquei só imaginando: se aqui está assim imagine no PI né?! Vocês acreditam que o ar condicionado do aeroporto internacional do Rio estava desligado? Pior! Tinha um aquecedor naqueles túneis que nos levam até o avião. Juro que não queria reclamar do meu país, mas desse jeito fica difícil. Ainda bem que chegando em Teresina tive uma recepção calorosa de verdade. Não, nem me importei com a temperatura. O aeroporto estava cheio de pessoas queridas, que gritaram meu nome quando apareci, que fizeram cartaz, que levaram apitos e “foguetes” (aqueles de confete), que transformaram o bagageiro de um carro em uma mesa de delícias brasileiras e me proporcionaram um jantar típico em pleno aeroporto! Eu tenho uma família maravilhosa!! E como sinto falta dessas reuniões por aqui… AInda bem que o Skype é um santo milagroso! Todo mundo me perguntava se eu estava pra morrer de calor, todo mundo! E pra minha surpresa eu não estava me incomodando com as temperaturas marcadas nos termômetros. Outras coisas eram mais importantes. E, sinceramente, eu enfrento qualquer sensação térmica pra ter aqueles momentos que tivemos. Depois de um mês, voltei para o frio. Cheguei mais forte e resistente. Ao frio, às tempestades, ao gelo. Mas essa força vai além das temperaturas negativas.

Eu nunca esqueci de um dia que eu e a Mamãe fomos pra um aniversário na casa de uma tia dela e a prima perguntou porquê ela não tinha ido pra tal lugar, a mamãe respondeu que o papai não queria ir e ela não queria ir sozinha. Eu, criancinha ainda, achei um absurdo! Deixar de ir pra uma festa porque o papai não queria ir???!! Inaceitável pra mim (naquela época). Aí ela falou o que ela sempre fala: um dia vocês vão entender. E num é que esse dia chegou?! Antes de casar eu ia pra todo lugar sozinha, sem medo, mas agora parece que o Jr tem que tá sempre ali pra eu estar segura (eu sou paranóica com ladrão também). Não sei se é porquê agora tenho que andar a pé e de metrô e antes resolvia tudo de carro ou se é porquê casei. Mas também não deixo de fazer sempre o que quero porque ele não pode ir, eu já sabia que o tempo dele ia ser mais corrido que o meu. Ontem, por exemplo, eu quis ir ao shopping, mas o Jr tem duas provas na sexta, não dava pra ele ir. Fui sozinha mesmo, andei muuuuito (tenho certeza que se ele fosse não ia querer andar tanto! kkkk) mas sempre pensando: “ow queria que o Jr tivesse vindo pra ver isso ou aquilo. Olha aquela roupa!! Será que ele ia gostar? Meu Deeeeus, tá tudo em promoção e ele não tá aqui pra me ajudar?!” Parece que não tem a mesma graça. A gente aprende a fazer tudo junto e acha estranho quando tá separado. Mas acho que é pra isso que as pessoas casam, pra compartilhar uma vida e desfrutarem juntos tudo que ela oferece. Não tô reclamando da pessoa que estou me tornando, só constatando que o que a mamãe sempre fala é mesmo verdade: “eu sou você amanhã”. Afinal estou (quase) igual a ela, sem querer ir pros lugares sozinha. Falando em shopping e compras vou dizer uma coisa: esse país é o país das sales, aliás tem até  pre-sale, que é uma promoção antes dos feriados (e que eu saiba o próximo é só o Thanksgiving), quando os preços caem ainda mais. Ainda bem que o consumismo e o capitalismo não me contaminaram totalmente, porque senão o coitado do cartão de débito crédito já ia tá estourado uma hora dessas. A tentação é grande, eu olho, olho e olho de novo e se eu não AMEI uma peça me contento só com o olhar. Se eu AMEI mas acho que ainda posso esperar o preço cair mais, eu espero, mas comprar no impulso definitivamente não rola… Passei uma hora e meia dentro da Macys e paquerei até com as toalhas (kkkkk, é verdade!) e consegui sair de lá sem comprar. Eu já comentei que nunca compro nada por causa da consciência que pesa depois, né?! Só que ontem fui decidida que traria um  look pra usar no dia do aniversário do Jr. Andei e andei mas parei na Forever 21, que tem precinhos ótimos. Em uma outra loja paquero uma botinha desde quando cheguei aqui, nunca comprei mas nunca esqueci dela. E não é que ontem ela tava na promoção?! Pena que não tinha meu tamanho. :( Fiquei orgulhosa de mim por valorizar mais o nosso dinheirinho, gastar moderadamente e voltar suuuper feliz pra casa sem um montão de sacolas. Claro que depois dessa andança toda eu AMEI uma bolsa (que ainda to achando cara), mas quem sabe daqui um mês ela volte pra casa comigo… É como dizem por aí: é preciso ter muito sangue no olho pra resistir às tentações nessa terrinha!

Uma foto mostrando como as calçadas estão por aqui. :)

Passeio com uma colega.

Já falei pra vocês que conheci uma menina da Síria e que logo nos identificamos né?! Então, o niver do Jr está chegando e eu queria ir ver umas coisas no shopping pra comprar o presente dele. Criei coragem e chamei ela pra ir comigo, afinal só se faz amizade tendo mais contato né?! ELa conhece muita gente na cidade, o cunhado e a família moram aqui e o marido também já morava na cidade antes dela vir. Mas eu não tenho ninguém, por isso chamei ela pra ir comigo mesmo sem taaanta intimidade assim. Nos encontramos e ela realmente me ajudou, disse o que pensava sobre o presente e me deu dicas de onde comprar outras coisas mais baratas. Ela já veio muitas vezes antes de casar e conhece muito mais coisas que eu na cidade. Lanchamos, falamos sobre nossas culturas e famílias e passeamos muito. Ela também tinha que comprar uns presentes e também ajudei-a. No meio do nosso passeio ela recebeu umas ligações e falava em árabe, muito legal!! Depois do shopping fomos em outra loja que tinha me falado e ela perguntou como eu ia voltar pra casa. Eu fiquei sem entender, porque jurava que como ela tava de carro e tínhamos saído do shopping ela viria me deixar em casa, mas aí respondi que ia ser de metrô. Perto da loja não tinha nenhuma parada, então fomos pro apartamento dela (que era perto) e ela perguntou pro porteiro onde era a estação mais próxima. Mesmo seguindo o caminho que ele falou não chegamos lá, isso já era 21h e eu estava cheia de sacolas. Eu já tava com vergonha porque não sabia onde era a parada e não conseguia ajudar a encontrar. Também não entendi porque ela não usou o GPS que tinha usado para chegarmos até a loja. Acabou que ela me deixou num lugar escuro e disse pra eu achar a parada, que devia ser na rua de trás e me ligava em dez minutos pra saber se eu tinha achado. Ela não foi rude ou chata, pelo contrário, mas até chorei quando desci do carro. Estava tarde, escuro, cheia de sacolas e perdida. O lugar que desci era o fundo de um estacionamento, quando cheguei na frente dele reconheci a rua que uma vez tinha ido com o Jr, aí me achei e vi a parada. Ufa!!! Apesar de conhecer e conversar mais com ela, a parte mais legal do meu dia foi chegar na minha estação e ver o reflexo do Jr no vidro esperando por mim, quando desci do trem ele abriu um sorriso enorme e aí toda a tristeza do momento anterior foi embora. Quando cheguei em casa percebi o tanto que tinha andado, meu corpo sentiu e a perna começou a doer, tanto que ontem nem consegui ir pra aula com dor nas pernas…

Jr tem um encontro semanal com o orientador dele e toda vez volta cheio de histórias matemáticas. Não são chatas, até porque as que ele me conta geralmente são fofocas do mundo dos nerds. kkkkkk Ele também fala em que cidade os professores participam de congressos, trabalham, fazem pós doutorados e outras coisas em nome da carreira. O orientador dele (americano) já morou na Inglaterra pra lecionar por lá e na Alemanha pra fazer pós-doutorado, além de ter morado em vários estados aqui dos EUA. Já participou de congressos na França, Japão e não sei quantos outros lugares! E quando o Jr chega contando isso eu já me imagino morando em outros países, falando outras línguas e conhecendo outras culturas. Eu gosto daqui, mas sinceramente não me importo de viver feito “caixeiro viajante”. Eu via a propaganda que dizia “Yázigi, você cidadão do mundo!” e não entendia. Agora sim, isso faz sentido pra mim! Morar em países diferentes não me assusta, pelo contrário, me fascina. Sou brasileira, mas por enquanto “americana” e porquê não depois ser alemã, francesa ou até japonesa?! Virei cidadã do mundo.