Curiosidades – universidade nos EUA

A pergunta que mais me fazem é: tu consegue entender tudo que o professor fala? Não. não entendo 100% do que eles falam, mas diria que comecei o semestre entendendo 75% e agora já entendo 90% do que é dito em sala de aula. Por causa desse não entendimento, perdi 3 tarefas importantes e tive que me virar pra conseguir pontos extras.

Outra curiosidade é sobre os alunos/colegas de classe. Como aqui a gente não cursa bloco fechado, pago matéria com várias pessoas diferentes. Algumas, só tenho uma aula em comum, então fica difícil estabelecer um relação de amizade com uma pessoa que você vê uma vez na semana. Além disso, as turmas tem uns 50 alunos, o que dificulta o entrosamento. Na minha aula de inglês, com uma turma bem menor, a gente consegue se relacionar melhor. Me perguntam também sobre amigos americanos, se eu falo muito com eles, se são diferentes dos internacionais. A verdade é que acho que não tem muita diferença, mas não sei por qual motivo não me aproximei muito deles ainda. Coincidentemente, sentei perto de uma menina do Vietnam e viramos amigas. Numa aula não falo com ninguém e percebo que muitas pessoas dessa minha aula não se relacionam também.

Aluno é aluno em qualquer lugar, então sempre vai ter aquele que pesca, aquele que dorme, um outro que conversa demais… é a mesma coisa aqui. Eu acho que aqui a relação aluno-professor tem uma distância maior, apesar de achá-los bem mais prestativos do que os que tive na faculdade no Brasil. Eles têm horários designados apenas para ajudar alunos e isso é muito bom. Mesmo assim, acho que os alunos aqui não se importam muito com o professor. Tenho uma aula às 8h da manhã que muuuuita gente dorme, outras ficam com fone de ouvido ouvindo música (mesmo o professor explicando no plano de curso que é proibido o uso do celular), outras assistem vídeo na maior cara de pau e não colocam fone e uma mínima parcela presta atenção de verdade. Eu sento bem na frente e ficava me perguntando porquê o professor dava aula olhando só pra mim e pra umas duas ou três pessoas do lado, aí um dia desses eu olhei pra trás e vi o que acabei de descrever.

Uma diferença aqui são as tarefas de casa. Sim, temos muita! E não é coisa de ensino médio ou infantil. Independente do seu ano na faculdade você vai ter sempre tarefa. Umas matérias têm mais que as outras, mas todas tem. E tudo vale ponto pra sua nota final. Aqui você não faz só 4 provas, faz a média e pronto, tem sua nota. A gente faz tarefa de casa, quiz (mini provas) e provas. Apesar de não estar acostumada com isso eu acho que é muito bom, assim a gente não vicia em estudar só em época de provas. Além disso, tem matérias que só tem duas provas, outras que tem quatro + final, outras que tem quatro mas não exigem final, então tá sempre tendo prova de alguma matéria.

Minha universidade promove vários eventos e workshops pra ajudar tanto a fazer amizades quanto entrar no espírito acadêmico. Acho legal, mas não gosto de forçar amizade. hahaha

Turismo em St Louis

Resolvi fazer um post sobre isso logo porque tive dificuldades em encontrar relatos de turismo aqui em St Louis na internet. Só achei de site de viagens, wikipedia, essas coisas impessoais.

Bom, o Gateway Arch é o monumento mais famoso daqui. Fica no centro da cidade e dá para subir até o topo. Entramos num elevador meio cápsula (claustrofóbico não pode ir, porque é muuuuito apertadinho). Sem falar que por causa da forma da construção ele vai balançando no percurso. Lá em cima tem umas janelinhas e você fica admirando a vista. É legal, mas é rápido, não tem muito o que fazer sabe? Mas lá embaixo na entrada tem um museu e um cineminha e você pode assistir documentários relacionados ao arco. É claro que tem a lojinha de souvenir também. O parque onde o arco fica é bem legal e se não tiver tão frio dá pra fazer uma caminhada que é bem relaxante. Dentro do mesmo parque também fica a Catedral antiga, vale dar uma entradinha.

Aproveitando que já tá no Centro da cidade e é praticamente em frente ao monumento mais famoso de St Louis vá conhecer a Old Courthouse. É um prédio histórico bem bonito. Amo a cúpula de lá!

Se você é daqueles que gosta de conhecer os restaurantes típicos e provar as comidas locais uma boa pedida é ir comer a costelinha de porco do Pappy’s Smokehouse. Chegamos lá 13h e tivemos que enfrentar uma fila imensa!! Já saiu até no programa Man vs food.

Se você vem com criança ou é uma criança por dentro ainda no centro da cidade tem o City Museum. É um museu diferente, super interativo. É uma mistura de playground com museu, dá pra escalar algumas “obras”, escorregar, pintar e jogar em várias exibições. O bom é que fica aberto até a meia-noite e se você for de noite ainda paga mais barato!! Bem pertinho fica o City Garden, várias praças com várias esculturas e fontes e que os americanos adoram (eu não vejo muita graça).

A Cathedral Basilica é outro ponto que vale a pena ser visitado! Remete às igrejas antigas da Europa e tem várias pinturas e mosaicos de deixar qualquer um boquiaberto. O bom é que pode tirar fotos! Se naão for na hora da missa, claro. A mamãe adorou o lugar! Todos os domingos íamos à missa lá.  Fica num bairro bem gostoso, chamado Central West End e tem vários lugares bons pra comer por perto.

Meu lugar favorito em St Louis chama-se Forest Park. É de uma imensidão que é impossível conhecer tudo de uma única vez. Dentro dele tem campo de futebol americano, quadra de tênis, dois museus, restaurantes, pedalinho e um lago. É o lugar que mais gosto de ir, onde tiro as fotos mais bonitas (e onde já peguei uma multa também) e é bem relaxante. Se não tiver muito frio é muito bom dar uma caminhadinha, passar por entre as árvores e lugares em que a água do lago atravessa nosso caminho. É um contato muito bom com a natureza. Lá já visitei o Museu de Arte (que é grátis) e falta o Museu de História.

O Jardim Botânico também vale muuuuito a pena ser visitado (sábado até meio dia é grátis para quem mora aqui), principalmente na primavera. Levei a mamãe e minha prima no final do outono e mesmo assim gostaram (menos do frio, claro). O jardim japonês e o árabe são meus preferidos. Lá dentro tem também a casa de Tower Grove, que foi quem criou o jardim e posteriormente deu nome ao bairro. Também é tão grande que nem sei quem consegue caminhar tudo aquilo em uma só vez. E pertinho de lá tem uma patisseria bem charmosa chamada La Chouquette com lanchinhos interessantes.

Eu sempre levo quem vem me visitar pra conhecer a Washington University in St Louis, porque é onde o Jr estuda e é bem diferente das universidades do Brasil. Prefiro ir num horário que não tem muito aluno e vários prédios ficam fechados, mas se for em dia normal dá pra conhecer tudo e morrer de vontade de estudar lá. A entrada parece de um castelo e tem vários salões dignos de rei mesmo.

Tem também a cervejaria Budweiser que nunca fiz porque não bebo e aí fico com vergonha de ir e não provar o que eles oferecem. hahahaha Mas quem faz o passeio pago diz que é muito bom, porém o grátis é sem graça. Quem for, me conta.

Outros dois restaurantes famosos e a cara de St Louis são Blueberry Hill e Pastaria. O primeiro fica pertinho da universidade, tem vários espaços e vive lotado! É comida americana e eles servem o menu de café da manhã o dia inteiro. Já o segundo é de comida italiana, fica no “bairro” nobre da cidade e é ótimo pra ir comer uma pizza assada em forno a lenha (coisa difícil por aqui) e pedir o crispy risotto balls de entrada.

O post ficou meio longo mas espero que ajude quem tem planos de vir pra cá. Essas são minhas dicas dos lugares mais legais e acho que não esqueci de nenhum lugar que vale a pena conhecer por aqui.

Viajando para os EUA sem falar inglês

Como se não bastasse tudo de bom que aconteceu aqui em STL durante o mês de novembro ainda ganhamos as passagens para passar o Natal em família! Foi muita correria depois que soube pra organizar tudo tão rapidinho! Voltando à saga da mamãe… Bom, como já falei em outros posts ela veio sozinha e não fala nada de inglês. Além do beautiful (que ela fala do mesmo jeito que escreve kkkk) e I love you! Pra facilitar eu e minha irmã fizemos uma lista de palavras e expressões que ela pudesse encontrar pelo aeroporto e que por não saber o significado pudesse ficar perdida. Traduzimos do português para o inglês expressões como portão de embarque, esteira para pegar as malas, essas coisas. Também escrevi algo como “por favor, escreva aqui o número do meu portão”, porque se eu colocasse a pergunta ela não ia entender a resposta. Chegando na imigração ela disse que não sabia falar inglês mas nem chamaram intérprete. O próprio oficial (policial? como é o nome? kkkk) que estava cuidando da entrada dela resolveu. Não perguntou quanto tinha levado nem quantos dias ia ficar, pediu logo pra colocar a digital e só perguntou pra onde ela ia. Deu pra perceber que foi bem tranquilo, né? Ela disse que só ficou apreensiva na hora de pegar aquele trem (que tem nos aeroportos maiores) que leva pro portão de embarque, porque não sabia o sentido e não sabia ler o que estava escrito, perguntou para uma pessoa que falava espanhol e se resolveu. Todo mundo achava que ia ser a maior complicação essa vinda dela sozinha, mas foi bem mais tranquila do que imaginávamos. Eu expliquei o passo a passo do que ia acontecer, quando ela ia ter que pegar as malas e pra onde ela teria que ir em cada lugar. Também achei na internet o formulário azul que a gente preenche no avião e pedi pra minha irmã imprimir e responder com ela porque como ela veio de Delta talvez só entregassem em inglês. Uma coisa que ela reclamou foi que as comissárias de bordo só falavam inglês e não fizeram questão que ela entendesse nem o que estavam servindo nas refeições. Sorte que a pessoa ao lado ajudou.

Trazendo comidinhas

Acho que já falei aqui que boa parte da minha família é envolvida com o ramo alimentício em Teresina, daí eu ser assim… com uns quilinhos a mais do que deveria. Desde sempre, claro! kkkkk Bom, eu sinto MUITA falta da comida brasileira aqui, não é do arroz e feijão não. É do folhado e enrolado quentinho de queijo da confeitaria da mamãe, da coxinha pegando fogo do restaurante da minha tia/prima, do pastelzinho e canudinho (rabo de tatu) do vovô (para sempre será do vovô), dos toddynhos com cuscuz de arroz, deixa pra lá o resto porquê todo mundo já deve tá salivando. hahahaha Pensando em me agradar, a mamãe resolveu trazer algumas coisas pra eu matar a saudade. Eu falei que produto industrializado ela podia trazer à vontade, contanto que despachasse na mala, mas que não era pra trazer nada “caseiro” porque senão ia dar problema pra ela. E como vocês bem sabem, ela não fala inglês. Aí já viu, né? Mas mãe é mãe, né gente? Quer fazer tuuuudo que pode e mais um pouco, então ela resolveu arriscar! Colocou a massa folhada feita na Doce Vício enrolada num papel alumínio, comprou um isopor que coubesse na mala e jogou lá dentro. Não para por aí. Também colocou no isopor enroladinhos de queijo (meus preferidos) e cajuína feita pelo meu tio (mas eles colocaram em garrafas com rótulo). Como se não bastasse, ainda trouxe canudinhos sem recheio, além de castanha e alguns doces típicos de lá. Mamãe sabe que adoro manga, principalmente as lá de casa e do sítio do vovô. Elas são mais gostosas de verdade! Eu avisei que não podia trazer fruta, que a gente assinava um papelzinho dizendo que não estava trazendo, mas de que adiantou? Ela trouxe mesmo assim! Porém… quando ela finalmente pega as malas dela, tem um policial passeando com um cão farejador que de longe sentiu o cheiro dessas mangas (tô dizendo que as de lá são melhores!). Ela disse que o cachorro foi chegando cada vez mais perto da mala até que encostou na “quina” e o policial perguntou:

Tem comida?

Ela disse: Tem!

– É carne?

– Não.

– É manga? (como ele sabia sem nem abrir a mala? Será que já tinham visto no raio x antes da esteira??? Ou esse cachorro só detecta carne e manga? kkkkk)

– É.

– Pois me acompanhe por favor.

P.s.: Não sei como ela entendeu, só sei que se comunicaram. Talvez misturando português, espanhol e um mínimo de inglês. hahahaha

Foram para uma salinha e lá abriram a mala e retiraram todas as mangas, mas não foram grosseiros nem nada de ruim não. Nessa hora ela pediu uma intérprete porquê queria saber o motivo de não poder trazer as mangas. Disseram que pode ter agrotóxicos, inseticidas, sei lá o quê mais. Mamãe ainda tentou argumentar que era lá de casa e não tinha isso, mas não adiantou nada.

E as outras coisas? Vocês devem estar se perguntando. Bom, abriram TUDO dela e ninguém sabe o motivo mas deixaram ela entrar com tudo que tinha  (exceto as mangas). Mamãe disse que quando abriram o pacote de massa folhada disseram: ah, isso aqui é coisa de sobremesa, pode passar. E pronto! Morri de felicidade com tudo que ela trouxe!!! Como sempre, uma delícia!

Tirando a carteira de motorista! Yey!!

Bom, pra dar um intervalo nos posts da viagem resolvi escrever sobre minha carteira de motorista aqui dos EUA. Sim, minha carteira brasileira é válida aqui enquanto ela for válida no Brasil também. Importante lembrar que nem em todos os estados acontece dessa mesma forma, mas ainda bem que aqui sim. Então vocês devem tá se perguntando o motivo de tirar a daqui, né? Pois é, quando compramos o carro foi a maior dificuldade pra achar uma companhia de seguro e quando achamos não era nada barato! Entre outros fatores, uma das razões para o preço elevado era que nós não tínhamos um histórico de direção aqui, que só é possível com a carteira local, certo? Além disso, nosso seguro determinou que tínhamos que tirar a carteira de motorista americana em 30 dias, ou seja, não tive escolha. Também tem outro ponto: meu passaporte anda sempre comigo na bolsa, pois é a forma de identificação válida que tenho por aqui. É perigoso, caso eu perca nem quero pensar na dor de cabeça, enquanto que se eu tiver uma carteira de motorista ela vale também como carteira de identidade e meu passaporte pode ficar guardadinho, sendo usado apenas para viagens pra fora do país. Não é legal assim? :D Eu estava uma euforia só quando comprei o carro, depois meu irmão chegou e eu nem conseguia pensar em outra coisa! Por isso, não me preparei direito pro teste, mesmo assim queria ver como era, se era muito difícil, o que eles observavam e tal. Eu tava com medo das taxas, mas resolvi arriscar assim mesmo. Fui até o escritório de testes já com os documentos (como meu visto é F2 preciso de uma carta da universidade confirmando a matrícula do marido além do passaporte, I20 e comprovante de residência) e na mesma hora me colocaram pra fazer o teste escrito, aqui não marca antes. É claro que reprovei e soube disso antes de terminar, porquê a medida que você passa de uma questão pra outra ela já diz se você acertou ou não. A minha primeira surpresa: ao final do teste a pessoa que trabalhava lá me perguntou se eu queria tentar de novo e eu aceitei. Podia tentar duas vezes por dia e não paguei nada. Claro que não passei também. :D Voltei pra casa e li o guia de direção inteirinho e no outro dia fui lá de novo. Antes de terminar o teste eu já tinha sido aprovada (não precisa acertar todas e eu atingi o percentual mínimo antes de responder tudo)!! ÊÊÊ! Daí fiquei esperando pro meu teste de direção mesmo, tava confiante, afinal (penso eu) não sou barbeira e amo dirigir! Ah, carro automático também não tem a preocupação de deixar “estancar” ou “morrer” né?! Aqui todo mundo faz a prova no seu carro, antes de começar a avaliadora olha se os faróis e setas estão funcionando, se você sabe o que é o freio de mão e o outro freio, pergunta também se você sabe dar luz alta e piscar a luz (dã! kkkk) e utilizar o desembaçador (o nome é esse mesmo?) dos vidros dianteiro e traseiro. Depois dessa checagem começa o teste. Nada de diferente, mas nem fui pra baliza e já tinha sido reprovada. kkkkk A regra por aqui é olhar por cima do ombro (além do retrovisor) quando for trocar de faixa, dar ré, fazer um estacionamento, tudo! No Brasil a gente não é ensinado assim né?! E eu acho que é mais perigoso também, mas como são as regras daqui né… No dia seguinte viajei e no último dia do prazo que o seguro tinha me dado fui de novo e passei!! Uhuuu!! Agora a notícia mais impressionante: depois que você é aprovada recebe um papel/formulário que leva em outro escritório pra fazer o pagamento e poder receber a carteira. Adivinhem quanto foi??? EU tava morrendo de medo de sair caríííssimo por causa das reprovações, mas pasmem: custou apenas $10!!! Ufa, que alívio! No Brasil nem as taxas do Detran custam apenas R$20,00 além de ter que pagar pelo teste cada vez que faz. Estou ansiosa pra carteira chegar e finalmente poder guardar o passaporte!!